No passado, a Cabanagem foi uma revolta popular ocorrida na Amazônia, e dela participaram pessoas vindas das camadas mais pobres da sociedade. Tratava-se dos Cabanos – uma extensa multidão de pessoas humildes constituída por negros, índios e mestiços que moravam em cabanas e eram explorados pelas autoridades do governo. Quando todos viviam num estado de absoluta miséria: a revolta dos Cabanos era uma tentativa de modificar aquela situação de injustiça. Os Cabanos lutavam por melhoria de vida, política, social e econômica
O estudo da revolução Cabanagem foi base para que o grupo musical de rap Cabanos tivesse sua formação em janeiro de 1999 na zona leste de Manaus. O grupo aborda em suas letras, o que a própria revolução propunha aos mais pobres da época, que era moradia, educação, dignidade e respeito, entre outros objetivos. Seus integrantes são precursores da cultura Hip Hop em Manaus e co-fundadores do Movimento Hip Hop Manaus (MHM). O Cabanos desenvolve trabalhos sociais, culturais e artísticos, na periferia manauense, estando presente em eventos importantes e celebrações na cidade, estendendo ideologicamente a outras cidades do Amazonas.
Hoje, o Cabanos é mais que um grupo de rap ou simplesmente da Cultura Hip Hop. Consiste em uma família, com adeptos em toda a cidade de Manaus, - pessoas com afinidades e pensamentos em comum. O show de apresentação do grupo Cabanos é composto sempre de músicas próprias, as letras relatam o cotidiano da periferia, expressam sentimentos individuais e vivências pelos integrantes do grupo. As letras são facilmente assimiladas pelo público por causar uma identificação de fatos e linguagem.
A música foi produzida pelo grupo a partir de pesquisa no Funk e Soul estadunidense da década de 1970, passando pelo rock-progressivo germânico de Amön Dul ao psicodélico escocês Donovan da década de 1960, do brasileiro Sérgio Mendes à musicalidade expressada por artistas amazonenses como: Raízes Caboclas, música “Cantos da Floresta” sampler para “Cara Pálida”, inspirações de artistas manauenses como Chico da Silva, Aldisio Filgueiras, Antonio Pereira, Márcia Siqueira, Grupo A Gente entre outros, e várias etnias indígenas brasileiras. Também é objetivo, empenhar-se pela qualidade artística, buscar fórmulas para que as apresentações públicas tenham uma linguagem contemporânea-regional, contudo, que fuja de ‘estereótipos/clichês amazônicos’. O show do Cabanos contém interferências audiovisuais produzidas pelo videomaker Marcos Tubarão, dança contemporânea por Odacy de Oliveira, artes visuais por Turenko Beça e escritor de grafitte Arab, cantora Márcia Siqueira, entre outros artistas convidados/colaboradores.
Todos devem clamar pela paz e estar certo de que a vida tem um significado amplo, e nessa simplicidade de pensamento, o Cabanos faz uso da palavra como uma arma contra a baixa estima, onde sua voz defende o ribeirinho, o pobre favelado, pessoas que moram nos alagados, palafitas e invasões. Pessoas que apesar de morarem ao entorno no maior rio do mundo, nem sempre tem água para suas necessidades.
O trabalho deu-se também pela necessidade em mostrar a importância em valorizar o aprendizado familiar – apresentando-o como base estrutural, promover a produção local e propiciar que as pessoas tenham orgulho em ser amazonense, caboclo, do Norte, brasileiro. As letras das músicas despertam pessoas a buscarem conhecimento, principalmente, na política, ciência, história, espiritualidade, seus direitos como cidadãos e direcioná-las para refletirem sobre o bem que podem fazer em seu meio social.
O título mostra o flertar com a arte/história, fatos verídicos do cotidiano, mostrando a intenção de contribuir com a melhoria da sociedade. Apesar do trabalho com a música ter começado há mais de 20 anos, apenas em 2004 o grupo começou a gravar seu primeiro disco intitulado “A Idéia Não Morre” – o que levou quatro anos de produção e gravações. “A Idéia Não Morre” foi realizado com próprios recursos, ajuda dos amigos Elso Correa e Márcia Siqueira proprietários da Baruk Som, Iluminação e Estúdio. O CD é uma produção independente, contém 12 faixas e uma de faixa-bônus “Todo Homem tem seu Preço”. Pode-se dizer que é um trabalho sem validade, visto que algumas de suas letras de compostas há quase 10 anos, continuam atuais. “A Idéia Não Morre” não é uma proposta ficcional, são experiências vividas pelos integrantes do grupo e pessoas próximas, situações do dia-a-dia foram musicadas.O CD “A Idéia Não Morre” é uma produção autoral do de rap grupo Cabanos e foi lançado no evento multimídia de artes integradas “Na Batida do Rap”, no Aomirante Espaço Cultural.
Previsto para 19 de novembro de 2011, o Cabanos irá realizar lançamento de seu primeiro DVD, intitulado por “A Idéia Não Morre” – mesmo título do primeiro CD e escrito “Idéia” de forma acentuada, fazendo valer o título/trabalho com origem antes das atualizações ortográficas na Língua Portuguesa.
O DVD trás participações especiais da cantora Márcia Siqueira na música “Pensamentos Malditos”, do intérprete-criador em dança contemporânea Odacy de Oliveira em “Cara Pálida”, do escritor de Grafitti Arab na música “Como um louco”, do dançarino de B.Boying, Popper e Locker Mestre Gato em “Na onça” e entreatos participativos do Beatboxer Bruno Crazy, stencil/cenografia de Turenko Beça e Marcos Tubarão. O projeto para gravação do DVD teve apoio da Baruk Sonorização, Gravação e Entretenimento, do projeto PAIC 2009/ManausCult/PMM e do Microprojetos da Amazônia 2010/Funarte/Ministério da Cultura.
“Uma história que começou há 27 anos, onde vivemos o Hip Hop intensamente, promovendo-o a uma cultura de origem estadunidense em uma eficaz linguagem com a periferia da cidade de Manaus; e baseado nos objetivos que foram atingidos, pode dizer que conceitualmente, superamos os lugares de onde originou a cultura Hip Hop”.
Marcos Tubarão
(Co-fundador do Movimento Hip Hop em Manaus, pesquisador, produtor musical, audiovisual, artístico e cultural).

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